terça-feira, 16 de agosto de 2011

Voltando um pouco para andar mais.




Pelo que não fomos

Não se tratam dos sorrisos desinibidos
ou dos olhares envergonhados;
Não falo do tocar tímido e escondido
ou da vontade nutrida em cárcere;
E muito menos da explosão
que nascia no fim do esperar.

Escrevo aqui pelo que não fomos
e nem poderíamos ter sido.
Escrevo aqui porque não posso
guardar em mim o que é seu...

E por isso te entrego
toda a poesia, o clamor e a canção
deste pobre, tolo e sôfrego órgão
que sinto como meu coração.


Sono the Idle, abril de 2010.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Estou precisando exercitar o ócio...

Ando ficando cansando de viver intensamente, de hostilizar meu corpo para que não fraqueje ante o desejo de fazer tudo quanto posso. Talvez em meu íntimo tenha um enorme medo da morte.
Sei que cada dia me perco mais em minhas vivências sem nem mesmo compreender-las e isso causa rachaduras a barragem.

Preciso abrir mais minhas comportas e receber mais de eu mesmo, para que o mundo não afogue tudo que sou.

Preciso exercitar o ócio.


Idle.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Será o prenúncio de um nascimento?




Devaneios mentais me iluminam


Aprendi a pensar, refletir, aprender...
Concatenar tudo numa escaramuça lógica
Definir inefável com palavras
E resumir a realidade
– no resultado da comparação entre meus arquétipos ideológicos e a experimentação (as vezes extasiada, potencializada, inebriada, dopada, anulada... ou não) dos cinco sentidos que fui convencido a ter – .

Ser imbecil me foi bom durante anos.

A racionalidade só alcança um Eu por vez
Cada Eu é, mas nunca será o Sou
“Sou cheio de recantos”
Em ângulos estranhos a geometria
Não há linha que ligue todos os pontos
Como não há doutrina que leve à iluminação
Ou Eu que represente o Uno.
Eu sou aquele que não se encontrou
Que queima como uma floresta violentada
Desejoso de tudo ao mesmo instante
Sorrio muitas alegrias
Que sequer germinam aqui.

Corro como um rio
Distante do espaço e do tempo
Sem nunca ficar parado ou sair do lugar
Sempre se renovando sem perder profundidade
Sou, no fim, o ser humano
Tudo do universo nasce e morre em mim.


Sono the Idle, 08/07/2011.

P.s.: As aspas são uma citação de Manoel de Barros.
P.s.1: Imagem por Matei Apstolescu, disponível em: www.hypeness.com.br

Nós estamos conectados a todas as coisas. Meu Kin:




LUA VERMELHA - Muluc (Maia). Leste, inicia. Governado por Mercúrio e regido pelo chacra raiz, corresponde ao dedinho do pé direito. Água. Deusa da água. Água universal, purificação do espírito. Princípio de comunicação e expansão da vida superior. Vive pela razão. Inicia e gera, mas também formula e transmite o impulso criativo. Tende a ser dominado por sentimentos fortes e pode ter poderes psíquicos. Desejo de entender a natureza do homem em um nível cósmico. Receba e expresse os poderes da Purificação e do Fluxo. Focalize a purificação de seu instrumento de percepção, sua mente e seu corpo. Sustente seu mundo corporal ancorando a vibração de sua totalidade.

11 - Espectral - Dissolve. Liberta. Raio de pulsação da estrutura dissonante. Expressar as idéias com demasiadas palavras; ação de liberdade, livrar, redimir, declarar livre de uma obrigação. Poder de operar ou não operar; poder de escolher; eximir, publicar uma coisa que estava ignorada; revelar, descobrir, anunciar. Um descanso no processo da transformação, o interesse pelo supérfluo, o ligeiro e agradável; facilidade de expressão; o esplendor; a diversão, o repouso que reúne forças para prosseguir. Coxas (virilha esquerda). Buluk (Maia). Pulsar da segunda dimensão, dimensão dos sentidos. Como posso libertar-me e deixar ir? Tom da Libertação e vibração do Abrir Mão, Deixar Ir e Dissolver. Liberte-se de todas as fronteiras, crenças, estruturas e limitações. Seja verdadeiramente livre. Traga a energia da liberação a todas as áreas de sua vida que precisam ser preenchidas com liberdade. Acredite que tudo é possível, que você existe em um Universo ilimitado. Dissolva todas as formas-pensamento de derrota e hábitos que lhe tirem o poder. Deixe ir ou abra mão de qualquer coisa que o impeça de fazer brilhar sua Luz.

terça-feira, 21 de junho de 2011

"Ocupo muito de Mim com meu desconhecer" Manoel de Barros



Jogo de liga pontos


Quando criança vivia a beira-mar
Olhava o céu
Confundia com o mar
Pensava nas espumas da imensidão azul
E em como as nuvens só deixavam a água cair de vez em quando

Nunca consegui dormir numa nuvem
A devorava quando feita de algodão doce
Ficava agoniado quando estava toda empapada
Me divertia com a cosquinha dos raios
Nem mesmo a noite
O jogo de liga pontos me prendia
E as ovelhas nunca conseguiam devorar todas as estrelas
Sempre apanhei por ficar acordado depois da hora de dormir
Sem nem chegar a entender o que eram horas

Foi no dia que descobri o que eram estrelas que mais tive raiva do dia
Não agüentava olhar aquela cara presunçosa do Sol
Egoísta, egocêntrico, traiçoeiro,
Que se enchia de amarelo e escondia as outras estrelas
Enxotava até mesmo a Lua
Tímida, doce, amante
Que tudo fazia para tentar amar
Burra; forçada a ser cópia, vigia da noite

Guardava meus olhos em óculos escuros
Para me esconder desse tipo despresível
Não abraço todos que encontro, me preocupo em proteger os chakras
E jamais deixaria as janelas sem guarda
É difícil entender porque somos obrigados a conviver com esse “todos”
Não espero que a totalidade dos seres se guie pelo bem
Sei o quão sedutor é o “dar-se bem”
É esse esconde-esconde da esperança que me complica


Sono the Idle, 21/06/2011.

Imagem por Salvador Dali.
Obrigado Bella (Girassol Noturno) por este texto.