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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Será o prenúncio de um nascimento?




Devaneios mentais me iluminam


Aprendi a pensar, refletir, aprender...
Concatenar tudo numa escaramuça lógica
Definir inefável com palavras
E resumir a realidade
– no resultado da comparação entre meus arquétipos ideológicos e a experimentação (as vezes extasiada, potencializada, inebriada, dopada, anulada... ou não) dos cinco sentidos que fui convencido a ter – .

Ser imbecil me foi bom durante anos.

A racionalidade só alcança um Eu por vez
Cada Eu é, mas nunca será o Sou
“Sou cheio de recantos”
Em ângulos estranhos a geometria
Não há linha que ligue todos os pontos
Como não há doutrina que leve à iluminação
Ou Eu que represente o Uno.
Eu sou aquele que não se encontrou
Que queima como uma floresta violentada
Desejoso de tudo ao mesmo instante
Sorrio muitas alegrias
Que sequer germinam aqui.

Corro como um rio
Distante do espaço e do tempo
Sem nunca ficar parado ou sair do lugar
Sempre se renovando sem perder profundidade
Sou, no fim, o ser humano
Tudo do universo nasce e morre em mim.


Sono the Idle, 08/07/2011.

P.s.: As aspas são uma citação de Manoel de Barros.
P.s.1: Imagem por Matei Apstolescu, disponível em: www.hypeness.com.br

terça-feira, 21 de junho de 2011

"Ocupo muito de Mim com meu desconhecer" Manoel de Barros



Jogo de liga pontos


Quando criança vivia a beira-mar
Olhava o céu
Confundia com o mar
Pensava nas espumas da imensidão azul
E em como as nuvens só deixavam a água cair de vez em quando

Nunca consegui dormir numa nuvem
A devorava quando feita de algodão doce
Ficava agoniado quando estava toda empapada
Me divertia com a cosquinha dos raios
Nem mesmo a noite
O jogo de liga pontos me prendia
E as ovelhas nunca conseguiam devorar todas as estrelas
Sempre apanhei por ficar acordado depois da hora de dormir
Sem nem chegar a entender o que eram horas

Foi no dia que descobri o que eram estrelas que mais tive raiva do dia
Não agüentava olhar aquela cara presunçosa do Sol
Egoísta, egocêntrico, traiçoeiro,
Que se enchia de amarelo e escondia as outras estrelas
Enxotava até mesmo a Lua
Tímida, doce, amante
Que tudo fazia para tentar amar
Burra; forçada a ser cópia, vigia da noite

Guardava meus olhos em óculos escuros
Para me esconder desse tipo despresível
Não abraço todos que encontro, me preocupo em proteger os chakras
E jamais deixaria as janelas sem guarda
É difícil entender porque somos obrigados a conviver com esse “todos”
Não espero que a totalidade dos seres se guie pelo bem
Sei o quão sedutor é o “dar-se bem”
É esse esconde-esconde da esperança que me complica


Sono the Idle, 21/06/2011.

Imagem por Salvador Dali.
Obrigado Bella (Girassol Noturno) por este texto.

quinta-feira, 31 de março de 2011

&"O homem que a dor não educou será sempre uma criança".(N.Tommaseo)



Eu estou curtindo colocar frases que gosto como título das postagens... Aqui vai outro dos textos que gosto.


"Na boca


E desce a gota
Da boca
Que se move
Por palavras
Sem razão.

E desce
A razão,
Da boca que
Se move
Sem palavras,
Por gotas:

De suor
Nascido
Na fricção
De amores
E fantasias;

Da fricção
Do suor
De amores
Nascidos
Em sinestesia."
Sono the idle, 18/04/07

sábado, 5 de março de 2011

"Se um homem não descobriu algo por que morrer, ele não está preparado para viver."Martin Luther King Junior



Como lágrima em rosto botox


Inação
que age
onde a depressão
não é mais acaso

Inação
que controla
onde o medo
não mais teme

Inação
que machuca
onde a ação
não mais alcança

Inanição
que mata
onde o outro
não mais espera.



Sono the idle, 27/08/07.


Esse texto implorou para ser postado hoje.

domingo, 27 de fevereiro de 2011



Acabo de retornar de uma viagem de 2 meses e meio por parte da América Latina, em breve coloco algo sobre essa experiência memorável. Por enquanto um texto que fiz antes de viajar.


Beijos ao Delírio



Bêbado ele trepida
entre a superação no autoconhecimento
e o malfadado tormento de viver uma negação
da vida.

Já não lhe interessa se é sujeito
ou se está sujeito a algo que nem é.
Não importam Deus, carne, riqueza,
indivíduo, coletivo, círculo, quadrado, deuses...

Somente faz sentido seguir, cambaleante,
em direção ao lugar do início
do big-bang que deu origem a seu respirar;
do vício que deu origem a este Eu
que não mais lembra de onde veio.

Eu que subsiste entre a umbra e o nirvana;
preso a incapacidade de expressar-se
por ver-se mudo e ignorante,
ante a contemplação do presente...

Momento, instante, segundo..., nada disso serve
à descrição deste agora preenchido por tudo e cheio de vazio.
Agora que some com o tempo e o espaço,
destripa fatos, estupra valores,
acaricia idéias e goza
experiências sobre situações impossíveis ao mundano.

Delírio,
pode ser uma boa palavra
para descrever este Agora onde não há palavras;
pode ser a conseqüência de fugir da quimioterapia
para encher mais um copo;
pode ser a máscara usada pela epifania
para esconder-se dos dogmas do corpo;
pode ser...

Sei que em breve não haverá luzes
ou qualquer outra coisa,
mas também que esse “em breve”
somente chegará quando cessar o Delírio
e nascer o momento em que volto a ser mortal.

Então aqui, onde ainda me resta imortalidade,
uso de todas minhas vozes,
mesmo as inauditas ou impronunciáveis,
para batalhar contra o inefável
e tentar mostrar o quanto te quero:

É muito mais que algo que dói e não se sente,
que o sorriso beirando a saudade
ou a nostalgia que esmaga o sofrer.
É um algo que não sei
sentir, lembrar ou dizer;
que simplesmente surge cada vez que...,
de dentro de mim,
vejo a ti.


Sono the Idle, 22/10/10.